Dor ao mastigar, estalidos na mandíbula, dores de cabeça frequentes, tensão na face, sensação de cansaço ao acordar ou dificuldade em abrir a boca são sintomas frequentemente desvalorizados, tanto por quem os sente como, muitas vezes, por quem os observa clinicamente.
No entanto, estes sinais podem estar relacionados com alterações da articulação temporomandibular e dos músculos associados, conhecidas como disfunções temporomandibulares (DTM). Apesar de serem bastante comuns, as DTMs continuam envolvidas em muitos mitos e dúvidas. Durante anos, acreditou-se que estes problemas estavam relacionados apenas com a mordida ou exclusivamente com a articulação. Hoje, sabemos que a DTM é uma condição complexa, multifatorial e que pode impactar significativamente a qualidade de vida. Compreender o que é a ATM e reconhecer os sinais mais frequentes da DTM é muitas vezes o primeiro passo para procurar ajuda adequada e evitar que os sintomas se tornem persistentes.
O que é a ATM?
A articulação temporomandibular (ATM) é a articulação que liga a mandíbula ao crânio. Existe uma de cada lado da face, localizadas imediatamente à frente dos ouvidos. A ATM permite movimentos essenciais do dia-a-dia, como: falar, mastigar, bocejar, sorrir e engolir. É considerada uma das articulações mais complexas do corpo humano, porque combina movimentos de rotação e deslizamento em simultâneo.
Além da articulação em si, o funcionamento da ATM depende também da coordenação entre: músculos mastigatórios, disco articular, sistema nervoso, coluna cervical, respiração e padrões musculares e posturais. Quando existe alteração em algum destes componentes, podem surgir sintomas e limitações funcionais.
O que é a DTM?
A Disfunção Temporomandibular (DTM) é um conjunto de condições que afetam a articulação temporomandibular e/ou os músculos da mastigação.
As DTMs podem manifestar-se de formas muito diferentes entre pessoas. Enquanto algumas apresentam apenas estalidos sem dor, outras vivem com dor persistente, limitação funcional e impacto significativo na qualidade de vida. Segundo os Diagnostic Criteria for Temporomandibular Disorders (DC/TMD), atualmente uma das principais referências internacionais para diagnóstico, as DTMs podem envolver:
– dor muscular;
– dor articular;
– deslocamentos do disco articular;
– alterações inflamatórias;
– limitações de movimento;
– mecanismos de sensibilização da dor (Schiffman et al., 2014).
Atualmente, a ciência entende a DTM através de um modelo biopsicossocial. Isto significa que a dor não depende apenas da estrutura física da articulação, mas também da interação entre fatores biológicos, emocionais e sociais. Ou seja, duas pessoas com exames semelhantes podem apresentar sintomas completamente diferentes.
Sintomas mais frequentes da DTM
Os sintomas podem variar bastante, mas os mais comuns incluem:
– dor na mandíbula;
– dor na face;
– dores de cabeça;
– estalidos ao abrir ou fechar a boca;
– dificuldade ou limitação na abertura da boca;
– dor ao mastigar;
– sensação de bloqueio mandibular;
– tensão muscular facial;
– cansaço ao acordar;
– bruxismo;
– dor cervical associada;
– sensação de pressão junto ao ouvido;
– desconforto ao falar durante muito tempo.
Muitas pessoas adaptam-se aos sintomas durante anos sem perceberem que existe uma disfunção subjacente. É comum evitarem certos alimentos, bocejar totalmente ou até rir de forma espontânea por receio de dor ou bloqueio.
Fisioterapeuta Daniela Ferreira, OF8019
Referências bibliográficas
– Ohrbach R, Dworkin SF. The evolution of TMD diagnosis: past, present, future. Journal of Dental Research. 2016;95(10):1093–1101.
– Schiffman E, Ohrbach R, Truelove E, et al. Diagnostic Criteria for Temporomandibular Disorders (DC/TMD) for clinical and research applications. Journal of -Oral & Facial Pain and Headache. 2014;28(1):6–27.
– de Leeuw R, Klasser GD. Orofacial Pain: Guidelines for Assessment, Diagnosis, and Management. Quintessence Publishing; 2018.